21/09/2009 | Da Redação | São Paulo

Amorim duvida que golpistas violem direito internacional na embaixada em Honduras

Após confirmar que Manuel Zelaya está na Embaixada do Brasil em Tegucigalpa, o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, afirmou que o presidente deposto de Honduras está agora sob proteção brasileira e que não acredita que o governo golpista fará "uma flagrante violação do direito internacional" contra a representação diplomática do país.

Durante entrevista concedida na tarde de hoje (21) na sede das Nações Unidas, Amorim disse que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva estava viajando para os Estados Unidos quando recebeu “de surpresa” a notícia.

Amorim disse não ter detalhes de como Zelaya chegou até a sede diplomática brasileira, mas garantiu que foi por "meios próprios e pacíficos". Um porta-voz da Embaixada do Brasil informou ao Opera Mundi que o presidente deposto está acompanhado do brasileiro Francisco Catunda Martins, diplomata encarregado de negócios do Brasil em Honduras.

O chanceler brasileiro disse também que o Brasil quer encontrar "uma solução pacífica e rápida para a situação atual". "Agora temos uma nova evolução da situação e a comunidade internacional confia no bom senso das autoridades de facto para favorecer uma solução rápida e pacífica", afirmou.

Segundo o chanceler, as autoridades brasileiras entraram em contato com a OEA (Organização dos Estados Americanos), o governo dos Estados Unidos e outras autoridades internacionais que mantém relação com o governo de Honduras para pedir que "sejam sensatos".

A posição do Brasil, esclareceu Amorim, é de que as eleições de 29 de novembro devem ser conduzidas pelo presidente constitucional do país.

Amorim disse também que não sabe por quanto tempo Zelaya permanecerá na embaixada, que lhe deu "abrigo e proteção".

Zelaya foi tirado da presidência do país no dia 28 de junho por militares hondurenhos e enviado à Costa Rica. Desde então, esteve exilado e já teve duas tentativas frustradas de voltar ao país. Na primeira delas, estava em um helicóptero e as Forças Armadas interditaram a pista de pouso. Na segunda, chegou a entrar por terra pela Nicarágua, mas voltou logo após cruzar a fronteira.

(Atualizada às 18h50)